Angústia, para variar
Odeio quando isso acontece. Não sei se é pura lerdeza da minha parte ou algo que se justifique. Odeio quando passo a noite em claro. Isso aconteceu hoje e eu só fui dormir quando começou o Bom Dia Brasil. Levantei à uma hora com a culpa de não ter feito um trabalho de Ciências com meu irmão mais novo. Como estou irresponsável. Onde as coisas vão parar se eu continuar desta maneira? Falta determinação, disposição, esforço. Isso para mim é completamente abominável. Acho que sou uma farsa. Não estou vivendo como deveria, nem conduzindo alguns relacionamentos como deveria. Depois que cheguei no trabalho a angústia me abateu. Angústia, como diz Marcel, é a espera por um perigo que não sabemos de onde vem. Nem exatamente o que é. Consolo? Talvez, porque no fundo há a esperança de que o perigo não se concretize e que tudo não passe de uma paranóia. No fim de semana peguei a estrada com uma amiga. Admirei o cerrado, mesmo árido por causa da seca. Foi bom. É bom pisar na terra. Serve ao menos para que eu não leve choque na escada de metal aqui do trabalho. Há tantas coisas que eu gostaria de fazer. Na verdade, eu já ficaria contente apenas em saber que eu poderia fazer o que quero. Mas é a vida. Que no fim das contas nem é tão ruim assim.
Escrito por Frieda às 16h44
[]
[envie esta mensagem]
|
Voltei
Depois de vários dias de tempo nublado, finalmente o solzinho começa a aparecer entre umas nuvens muito bonitas. Sim, parece que estou feliz por esses dias. É uma fase diferente agora. A minha vida tem sido assim. Cheia de altos e baixos. Sei exatamente quando começa e quando termina cada momento desses. O melhor de tudo é ter a consciência de que são fases. A certeza de que a felicidade vai voltar e a resignação de que alguns dias ruins virão logo em seguida. Depois de ler um livro que fala sobre isso – num dos meus cada vez mais raros, felizmente, momentos de desespero –, aprendi. É preciso saber que o ruim virá, mas não se preocupar com isso. Filosofias orientais. Ocidentais também, se você quiser, como numa frase de um personagem de Vanilla Sky. "Sem o amargo, o doce não é tão doce".
Escrito por Frieda às 16h59
[]
[envie esta mensagem]
|
Apática
Esta tem sido a palavra que eu mais repito ao ouvir aquela pergunta habitual e vazia: "Como está você?". Quando alguém me pergunta isso, posso contar nos dedos quem realmente está interessado na resposta. E também podemos contar nos dedos quando perguntamos e a resposta é sincera. Tenho vontade sempre de responder a verdade, no entanto, três coisas impedem. Primeiro, quando quem me pergunta não é alguém tão íntimo, alguém que mereça ouvir que estou apática. Segundo, porque infelizmente uma resposta que não seja "bem" soa como russo para a maioria dos meus interlocutores. Terceiro, porque tenho uma ligeira impressão de que quanto mais repito isso, mais me sinto assim. Seria bom se a cada vez que eu dissesse que estou apática, um pouquinho desse sentimento ruim fosse diminuindo. Até ficar boa. Até estar bem de novo. Enquanto escrevo isso, sinto sono. Um sono que vem se acumulando há tempos, por mais que eu durma. E quando alguém se atreve a me perguntar por que estou assim, a resposta desestimula um próximo passo para a conversa. Não sei. Não deveria ser obrigatório ter uma resposta para tudo. E também não deveria ser lógico alguém se sentir estranho, desanimado e ligeiramente triste sem que houvesse motivo. A única coisa que me faz acreditar que é lógico é o fato de eu estar sentindo isso como pessoas normais sentem uma pedra dentro do sapato.
Escrito por Frieda às 13h18
[]
[envie esta mensagem]
|
Quero sair daqui de dentro
É tarde, mas preciso escrever. Estou angustiada, e as letras saem melhor nesses momentos. Eu que, lá no fundo desejei um pouco de infelicidade para que pudesse escrever algo aproveitável, agora me debato com essa angústia besta. Não sei o que pensar. Não sei o que fazer. Tento fazer mil coisas para sair dessa espécie de transe no qual me encontro esses dias. No entanto, tem sido cada vez mais difícil. Parece uma areia movediça. E agora dei para sentir inveja. Inveja de não ser mais o que eu era, digamos, na época da faculdade. Mais sonhadora. Mais animada. Mais comprometida e responsável com o trabalho. Estou tão relapsa. Mais do que sempre fui. E hoje, me sinto só. Sinto-me como se fosse a última. A última das mulheres. Não há espelho que me faça sentir bonita. Não há elogio capaz de melhorar minha auto-estima. Porque hoje sou vazia. Sou uma mulherzinha vulgar, vazia. Fútil, vazia. Vazia, porém cheia de ódio de mim mesma. Desse meu jeito, que eu conseguia adorar há alguns dias. Que eu venerava e dizia a mim mesma: você está no caminho certo. Você está aprendendo a viver. Sua vida é melhor que antes. Será? Sinto que no último mês regredi. Estou tão pequena. Por quê? Por quê? Estou me sufocando. Já não me suporto, quero sair daqui, de mim. Estou asfixiada por esse excesso de mim mesma que só sabe pensar em mim, em mim, em mim, mesmo quando pensa em pessoas ou em coisas. Quero me esquecer de mim um pouco, para viver um pouco.
Escrito por Frieda às 01h57
[]
[envie esta mensagem]
|
O Castelo
O ser humano e suas invenções. Para que inventaram o espelho? Pensando bem, antes disso Narciso já se observava no lago, até a morte. Melhor perguntar por que Deus inventou o ser humano. A sua natureza me atormenta. A minha natureza me dá dor de cabeça. Enquanto passo alguns meses achando que sou forte, uma outra natureza dessas humanas vem e me prova em alguns segundos que sou um castelinho de cartas. Ou melhor, um daqueles castelos de areia que só se vê em filme ou desenho animado. Passa um menino correndo - sim um simples menino - e destrói tudo. Ele bate o pé, quase que de propósito, e desmorona o que gastei alguns milhares de neurônios para construir. Sem meu castelo sou pouca coisa.
Escrito por Frieda às 20h52
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Livros, Música MSN - amulherdek@hotmail
|
|